A todos os jovens vítimas da falta de acompanhamento na vida
Acordei sonhando que não havia escola.
Suspirei ao pôr o pé no tapete,
Pareceu-me dormente!
Gritei bem alto, escondendo a sacola:
-Mãe, hoje fico, estou doente.
Ouvi a resposta, já na escadaria,
Tapei os ouvidos àquela sinfonia,
Mas as sílabas sonantes ecoaram estridentes:
-Se não te levantas, parto-te os dentes!
Ai, quem me dera o fim-de-semana!
Brincar com amigas ou ficar na cama.
Mas tive de ir às aulas,
Sem outro remédio.
Fui fazer um frete,
Enchi-me de tédio!
Disse algumas graças,
Fui repreendida;
Não levei os livros,
Senti-me perdida;
Marcaram-me falta,
Mandei uma boca,
Olharam-me todos
Como se eu fosse louca!
Voltei para casa, ao anoitecer,
Fiz uma sanduíche, sentei-me a comer,
Abri a mochila, voltei a fechá-la,
Sentei-me na sala, vi televisão.
O tempo correu, descompassado,
Senti-me sozinha e desejei então
Que alguém me ralhasse
por não ter estudado!
Maria Santos
Maria Santos
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