quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fragas meninas














Emergem os corpos cansados
na terra revolta de amor
fecundada.
Colhem-se os beijos velados
nos sulcos do barro
nos trilhos da roda.
As mãos emudecem a noite repleta
de branco e afagam
as pedras rasgadas do rio
convulso guardador de agruras
das fragas meninas.

Entrelaçam-se os dedos. Ao longe
o piano ecoa o bailado a dois
e a lua estremece.

Fecham-se os olhos.

Amanhece.


                                     Maria Santos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amanhece a Terra
















Amanhece a Terra
num grito inteiro
sangra o silêncio
profundo e quente
nesta encosta ardente
de barro vestida!
E a lua cheia parte
vazia de ti,
despida
de mim.

Maria Santos

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os umbrais da madrugada



Ensinaste-me a habitar
o templo do teu olhar
quando teceste o meu corpo
nos fios do teu calor 
transformando em doce canto
o grito da minha dor.

Percorremos lado a lado
muralhas de horas vazias
no tempo apagado,
Soltámos lamentos perdidos
nas noites queixosas
de luas passadas,
sulcámos ventos e fragas  
nos umbrais da madrugada
em leitos de linho e mel,
palmilhámos passo a passo
as pedras soltas cantantes
dos trilhos da cotovia.

E o mundo girou
de mansinho
o trigo fulgiu
nos favos da seara
do tempo
e nós aprendemos
a amanhecer-nos
num só.

       Maria Santos

domingo, 15 de abril de 2012

A tarde




Sinto a tua fúria, mar calmo, na ironia do vento que passa, descompassado e áspero, testemunha do nada que os rochedos encobrem por debaixo da areia fina acariciada pelas ondas que rebentam em sussurros cansados. A tarde declina preguiçosa, pesada de quente e o silêncio ergue-se, escaldante, no horizonte, desta vez, fechado. Avisto uma onda de recuo enquanto se acendem as velas do Universo delineando as margens dos espaços desertos em ténues pinceladas de fresco…

Maria Santos, O Tempo Cansado

terça-feira, 20 de março de 2012

                   
Hino à primavera

Quero celebrar a primavera
Nas searas do meu canto incandescente
Quero festejar o amor urgente
Em madrugadas de palavras semeadas
Na terra do nascer da nova era.

Maria Santos