Ensinaste-me
a habitar
o templo do
teu olhar
quando teceste
o meu corpo
nos fios do
teu calor
transformando
em doce canto
o grito da
minha dor.
Percorremos lado
a lado
muralhas de
horas vazias
no tempo
apagado,
Soltámos lamentos
perdidos
nas noites
queixosas
de luas
passadas,
sulcámos
ventos e fragas
nos umbrais da
madrugada
em leitos de
linho e mel,
palmilhámos passo
a passo
as pedras
soltas cantantes
dos trilhos
da cotovia.
E o mundo
girou
de mansinho
o trigo
fulgiu
nos favos da
seara
do tempo
e nós
aprendemos
a
amanhecer-nos
num só.
Maria Santos