Não me canso de te olhar,
de te abraçar e sentir
o teu cheiro de criança
que me embala e te acompanha
no processo de mudança
de menina para mulher.
Ouço o sussurrar dos fios
do teu cabelo dourado
na imagem da cómoda do teu quarto
onde permanece intacto
o brilho do teu sorriso quente
na esquina do tempo
que atravessa a memória
dos meus sonhos errantes,
repletos de ti.
Sinto o toque aveludado da tua voz
longínqua, nas noites longas e densas,
que testemunham a dormência
dos meus passos
ao ecoarem nas frias pedras da calçada
da cidade clara onde ficaste,
vazios de ti.
Maria Santos

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