terça-feira, 4 de abril de 2017



















Folhas do Tempo

A noite anuncia o abismo
suspenso na penumbra das palavras 
abandonadas no caudal do silêncio.

Longos murmúrios sucumbem
à invernia das vogais
ecos das sílabas outrora sonantes
agora escritas nas folhas do Tempo.

A hora parte
humedecem-se os corpos
nas estrias aveladas do outono que amanhece.

A sombra do olhar inerte
é o prenúncio da morte. 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Lua cheia

Quisera que a Lua estivesse aqui tão perto.
Lua cheia. Milagre da luz que emudecesse
o grito incansável, dilacerante, único
espelho das poeiras sulcadas
no curso do rio faminto
da penúria das horas
das arestas do vento
crina desenfreada que galopa
ao sabor do Tempo precoce.

Em cena, a menina. O sorriso. O olhar inconsolável de bonina.
Não! O rio também corre devagar e o milagre da luz transforma o palco.
                                                                             
                                                                                                Maria Santos

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Uma questão de tempo



Sustenho os olhos repletos da maré amanhecida. Ao longe
o choro da guitarra que geme, dormente. Não fujo.
Estou doente. A minha roupa estremece no colo que agora ondula
ofegante. As pétalas murcharam, mas os pássaros tecem os sonhos
adornados pelos zéfiros que sustentam o peso das horas.

A espera é curta. O peso nos olhos dói. 
Uma questão de tempo.


                                                                                                         Maria Santos

sábado, 7 de setembro de 2013

Folhas do Tempo















A noite anuncia o abismo
suspenso na penumbra
das palavras abandonadas
no caudal do silêncio.

Longos murmúrios sucumbem
à invernia das vogais
ecos das sílabas outrora sonantes
agora escritas nas folhas do Tempo.

A hora parte
humedecem-se os corpos
nas estrias aveladas
do outono que amanhece.

A sombra do olhar inerte
é o prenúncio da morte. 

Maria Santos

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fragas meninas














Emergem os corpos cansados
na terra revolta de amor
fecundada.
Colhem-se os beijos velados
nos sulcos do barro
nos trilhos da roda.
As mãos emudecem a noite repleta
de branco e afagam
as pedras rasgadas do rio
convulso guardador de agruras
das fragas meninas.

Entrelaçam-se os dedos. Ao longe
o piano ecoa o bailado a dois
e a lua estremece.

Fecham-se os olhos.

Amanhece.


                                     Maria Santos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amanhece a Terra
















Amanhece a Terra
num grito inteiro
sangra o silêncio
profundo e quente
nesta encosta ardente
de barro vestida!
E a lua cheia parte
vazia de ti,
despida
de mim.

Maria Santos