segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Viagem


A tua presença
pernoitou serena,
expectante, sonolenta,
amena, oculta  na sombra
do meu destino
sem que eu pudesse adivinhar
que as portas blindadas
dos meus sentidos
eram apenas frágeis muros
de areia erguidos
em tempo de calmaria…

O outono espreitou,
vazio de ti…

Mas o vento,
velho sábio das coisas do mundo,
atravessou todas as pontes,
elos das nossas essências,
e, num simples pensamento,
destrancou com sete chaves
todas as portas maciças
daquele templo hirto e soturno
senhor de mim.

As tuas palavras tornaram-se,
então, o eco de todas as horas
agora compassadas e límpidas.

Eternos momentos de silêncio
preencheram o espaço
ainda virgem de nós
testemunhando a timidez
da realidade que terminava
o seu percurso virtual.

Agora, meu amor,
as palavras vazias são já longínquas
conchas fechadas em oceanos perdidos.
São agora verdes mundos de esperança
jamais estéreis, raízes da árvore plantada
que há-de permanecer robusta e indiferente
às intempéries futuras.


Maria Santos

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