Da minha janela vejo o mundo na nitidez
das águas do Mondego, saudosas do cais de outrora
onde agora reina uma espécie de bulício
mascarado pela chegada amena
da madrugada desta urbe
que hoje resplandece
glamorosa.
E o mundo irrompe por esta janela
liberto, fecundo, presente
em ondas sonantes de luz e de cor
transformando cada momento
num tempo
de eternidade.
Detenho-me na ponte que se impõe
no horizonte, majestosamente erguida
por entre as linhas oblíquas
da chuva
que pressinto
sobre o rio farto,
de um cinza anilado,
e deixo que a brisa dance
nos meus cabelos
sedentos de azul,
daquele azul sereno
que me transporta ao cais
do presente
onde quero embarcar até
transpor os muros
do meu desassossego.
Maria Santos
Sem comentários:
Enviar um comentário